Resenha | Sob a Luz da Lua (Nighstshade #1) de Andrea Cremer

Calla Thor não é uma menina normal, e sempre soube qual seria seu destino. Depois de formada pela Mountain School, ela deveria se unir a Ren Laroche, prometendo-lhe ser fiel e companheira até o último dia de suas vidas...

Só que Calla, assim como Ren, é tão humana quanto loba. Alfa dos Nightshades, ela é responsável pelo bem estar e segurança dos outros integrantes de sua alcateia e deve obediência aos Defensores, feiticeiros que vigiam os humanos desde tempos imemoriais.

Tudo deveria seguir como planejado: os destinos de Calla e Ren, alfa da matilha dos Banes, sempre estiveram ligados. Mas ela desrespeita todas as regras ao salvar um humano à beira da morte, desafiando as ordens de seus mestres e sua própria sorte.

Ao se envolver com Shay, Calla assume o risco de revelar os segredos de sua espécie, arriscando a vida e traindo seus companheiros. O amor proibido de Calla e Shay fará com que ela questione seu futuro, sua existência e o mundo que conheceu até agora. Ao seguir o coração, Calla pode pôr tudo a perder — inclusive sua vida. Algum amor vale tamanho sacrifício?

 Série Nightshade | Fantasia | 462 páginas | Ano 2011 | Galera Record | Skoob 
Lido em 2 dias | Avaliação 4 estrelas
 
 
"Fiz algumas anotações e tentei me convencer de que aquilo não tinha importância. Meus olhos insistiam em se voltar para a cadeira vazia, e meus dentes, em trincarem-se uns nos outros com tanta força que a dor no queixo era aguda e incômoda."
Esse livro é o primeiro volume da série Nightshade, e sendo bem sincera, confesso que seria apenas mais um livro cheio de clichês daquele romance proibido entre um humano e um ser sobrenatural. Claro que o livro apresenta elementos em comum com outras histórias já conhecidas, mas é desenvolvida de uma forma bem original que prende o leitor a cada momento querendo saber mais sobre esses personagens com características tão únicas e marcantes.
"A sensação foi familiar e estranha ao mesmo tempo. Senti um arrepio parecido àquele quando eu começava uma caçada. Com Ren, meu desejo aparecia subitamente, como a raiva, como um desafio. Shay evocava em mim uma paixão branda, um calor insistente, contínuo. Não havia matilha, mestre ou mestra. Apenas ele e eu - e seu toque ardia em locais do meu corpo prometidos para outra pessoa."
Confesso que sou o tipo de pessoa que tem um grande ponto fraco por capas bonitas, e isso aconteceu - sem a menor sombra de dúvida com esse livro -, que já queria o livro antes mesmo de ter lido a sinopse ou de ter a menor ideia sobre o que se tratava a trama. Depois que li a sinopse a certeza foi total, afinal, o livro tinha tudo aquilo que me encanta em histórias, com personagens extremamente bem caracterizados, não somos bombardeados - ainda bem - por um romance cheio de melação, mocinhas que precisam ser salvas e rapazes bonitões.

Para quem leu o prequel dessa história vemos que tem muito mais coisa envolvida do que só um garoto perdido que queria conhecer melhor o lugar - e fugir de loucura de sua nova casa -, mas é ali que tudo muda, que vemos de fato que a história vai se desenvolver muito mais do que no menino chateado por ter se mudado de cidade no seu último ano e ter que começar tudo de novo.
"Meus dedos tremeram ainda mais com seu toque; gotas ardentes e incontroláveis caíram dos cantos dos meus olhos. As lágrimas escorreram, turvando minha visão. Por que ele ainda me toca? Ele não entende? Puxei minha mão violentamente e dei um passo desastrado para trás."
Nesse livro, vemos a história um pouco diferente do que conhecemos, não é aquele caso clássico do lobisomem - que aqui são chamados de guardiões - que se transforma quando a lua cheia aparece no céu.

Os lobos também conhecidos como Guardiões se transforma quando querem e bebem sangue um do outro para se curarem, tem como principal missão proteger locais sagrados e os Defensores. Aqueles que possuem magia são conhecidos como Defensores - não me venha chamá-los de feiticeiros - são os responsáveis por manterem o equilíbrio do mundo, são os mestres da matilha e os responsáveis por tomarem as decisões importantes que são acatadas não só pelo alfa como por toda a matilha.

Vemos que na trama é muito bem definida a ordem social entre Guardiões e Defensores, até mesmo os humanos sabem o seu lugar nessa ordem - e se mantém o mais longe possível -, vemos de forma bem clara que existem uma ordem de poder e subordinação bem definida. Mesmo não possuindo livre arbítrio os Guardiões respondem aos Defensores - mesmo quando discordam das escolhas e atitudes destes - com uma conexão quase sagrada.
"Apoiei a testa no seu pescoço, ciente de que eu queria mais do que sua ajuda. O cheiro fresco da sua pele aplacou minha raiva. Ouvi as batidas do seu coração dispararem ao meu toque. Permiti-me pressionar o corpo contra o seu e me deliciei com a forma como seus músculos incendiaram minha pele."
Desde o início do livro podemos perceber que a protagonista Calla é bem diferente, ela toma decisões inteligentes, mesmo sabendo que algumas podem vir a complicar sua vida no futuro, ela é uma alfa e se sente completamente responsável pelo bem estar dos membros de sua matilha. Desde o início podemos perceber que Calla não tem medo de se envolver em brigas - se for necessário - tem uma forma de pensar única pode não ser muito bem aceita pela maioria dos Guardiões. Ela tenta fazer o certo, mas isso não faz com que todas as suas decisões sejam corretas, ou livres de consequências.

Em outro ponto temos Ren, o alfa de outra matilha, aquele que está destinado a ser o parceiro de Calla para a vida, mas ele tem um gênio bem único, muitas vezes sendo extremamente irritante. Como um alfa macho, ele é bem territorial, irritável, ciumento e faz questão de deixar isso bem claro a todos os momentos, principalmente depois de ver os olhares de Shay para Calla. Mesmo com esse jeito um tanto bruto ele sabe ser fofo quando quer e procura sempre deixar Calla confortável, demonstrando que para ele aquela união não é só uma obrigação, ele de fato gosta da garota que está predestinada a ser sua parceira.

E temos Shay, um humano que parece não ter o mínimo de noção ou medo do perigo, quanto mais sabemos sobre esse recém chegado, mais descobrimos que não fazemos ideia de quem ele é, e esse ar misterioso faz com que o leitor fique cada vez mais interessado no que está acontecendo em toda a cidade.

Depois desses três que são os que mais se destacam, temos outros personagens que a cada momento fazem a trama mais envolvente e muitas vezes aliviam a carga pesada que a história poderia ter, os membros das matilhas Nightshade - que seguem Calla - como os da Bane - que seguem Ren - são completamente diferentes entre si, e vemos que mesmo com essas diferenças, quando as matilhas precisam se unir os dois grupos se unem de uma forma incrível, se completam de uma forma única.
"Fitei-o, em silêncio, imóvel. Ele me olhou surpreendido e, então, lentamente, estendeu o braço e deu alguns passos na minha direção. Quando percebi o que ele pretendia fazer, rosnei e ameacei morder seus dedos. Ele pulou para trás e soltou um palavrão. Passei para a forma humana."
A leitura acontece de forma extremamente natural e fluida, mas em alguns pontos se mostra repetitiva, não dentro do livro, mas com outras histórias também.

O triângulo amoroso formado por Calla, Ren e Shay é perceptível de cara, quando a garota se sente na obrigação de salvar o garoto humano. Desde então vemos em Shay um garoto que está intrigado com o que ele viu e tenta descobrir um pouco mais sobre esse novo mundo no qual ele acabou caindo por acidente - ou não -, vemos em Calla uma garota que começa a ficar confusa, primeiro querendo negar tudo aquilo, mas depois faz o que acha certo, explicando para o garoto as coisas sobre esse novo mundo, mesmo que isso represente um risco para ambos, em contra-partida temos Ren que mesmo sabendo que seu destino e o de Calla já estão definidos - pelos defensores - ele ainda sente que não quer que a relação seja somente por obrigação e está disposto a conquistar a garota  e mostrar a ela que se importa com ela e o bem estar de sua matilha.
"Não imaginava que seria tão difícil pedir algo que eu queria. Não estava acostumada a fazer pedidos, mas, ao menos dessa vez, que se danassem os Defensores e suas leis. Era isso o que eles conseguiriam por me mandarem passar tanto tempo com um garoto tão lindo. Meu primeiro beijo deveria ser somente meu."


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