Resenha | Dezembro (A Garota do Calendário #12) de Audrey Carlan


O que você faria para salvar a vida de seu pai? A vida é feita de escolhas. Mia Saunders fez a dela. Mia Saunders precisa de dinheiro. Muito dinheiro.

Ela tem um ano para pagar o agiota que está ameaçando a vida de seu pai por causa de uma dívida de jogo. Um milhão de dólares, para ser mais exato. A missão de Mia é simples: trabalhar como acompanhante de luxo na empresa de sua tia e pagar mensalmente a dívida. Um mês em uma nova cidade com um homem rico, com quem ela não precisa transar se não quiser? Dinheiro fácil. Parte do plano é manter o seu coração selado e os olhos na recompensa. Ao menos era assim que deveria ser...

Em dezembro, Mia irá a Aspen, a estação de esqui mais celebrada pelos americanos endinheirados. Um homem misterioso pagou uma bolada para que ela fosse até lá. E o que Mia vai encontrar nas montanhas geladas vai mudar sua vida para sempre.

 Série A Garota do Calendário | Erótico | 160 páginas | Ano 2016 | Verus | Skoob 
Lido em 1 dia | Avaliação: 3 estrelas

 

"Nós cinco bebemos e comemos toneladas de comida, até que Matt se ofereceu para parar de beber e ser o motorista da vez. O restante de nós manteve o pique, pois todos tínhamos recebido um golpe duro a respeito da nossa mãe. O que havia a fazer senão viver o hoje? E foi o que fizemos. A noite toda."

Eu até entendo a ideia da autora em mostra que Mia quer cumprir aquilo que ela se comprometeu a fazer logo no início, mas ela concordou com o serviço de acompanhante por necessidade, e não faz muito sentido ela continuar com isso depois de descobrir que tem dinheiro. Nesse último mês a autora tentou focar um pouco na história pessoal de Mia e em seus traumas de infância, envolvendo ambos os pais.

"Naquele momento, percebi todo o significado do “Mia e eu”. Nós não estávamos apenas juntos. Éramos parte de um nós, uma equipe. Assim que nos casássemos, na próxima semana, seríamos referenciados como “os Channing”. Eu nunca tinha sido parte de algo assim. E precisava admitir, enquanto observava Wes abraçar sua família e acariciar a barriga, ainda lisa, da irmã, que ser parte de algo maior, uma família amorosa, realmente era o que importava. Eu entendia agora."

Depois de encontrar o amor com o seu primeiro cliente, Mia e Wes estão prestes a se casar e eles pretendem passar o natal em família, em Aspen. Mas enquanto estão na cidade, Mia trabalha realizando entrevistas com artistas locais - e no decorrer do livro já é possível ter um palpite sobre o que vai acontecer nesse livro - e uma grande surpresa aguarda a protagonista que finalmente encontra respostas para fechar a única ponta solta de sua vida e poder finalmente iniciar uma nova jornada ao lado de Wes.

"Suspirei e curti a sensação de estar olhando para minha primeira árvore de Natal com meus irmãos. Mesmo com o assunto sobre o aparecimento da nossa mãe pairando sobre a nossa cabeça, nós ainda tínhamos isso. Família. Não importava o que acontecesse. Nós éramos mais fortes pelo que havíamos enfrentado. Isso nos fazia valorizar ainda mais o que tínhamos. Momentos como aquele eram novas e belas lembranças que eu levaria comigo até o último dia da minha vida."

Se tem uma coisa que podemos perceber nesse livro é que Mia está perto de finalmente conseguir os seu felizes para sempre, seu quadro em um programa de sucesso vem sendo muito bem recebido pelas pessoas - a protagonista soube aproveitar bem os 15 minutos de fama que teve ao acompanhar alguns de seus clientes -, seu relacionamento com Wes está melhor, assim como sua melhor amiga e sua irmã estão seguindo seus caminhos, até que Mia precisa entrevistar artistas locais em Aspen.

Tudo bem que a ideia é interessante, Mia finalmente pode confrontar a mãe sobre o motivo de ter sido deixada para trás, mas é bem desnecessária, afinal esse novo encontro não vai causar nenhuma reviravolta impactante na vida da protagonista, ela aprendeu a se virar sozinha, resolver seus problemas - e dos outros - e agora que sua vida finalmente parecer estar entrando nos eixos que a mãe resolve aparecer? Ela bem que poderia ter aparecido antes, quando ela precisava, não a abandonando junto com a irmã e um pai que não teve condições de cuidar delas.

"Entreguei a ele a caixa um pouco maior do que a que tinha me dado. Ele sorriu e rasgou o papel da mesma forma que Isabel fizera. Isso me esclareceu algo mais sobre aquele homem: ele adorava ganhar presentes. Tomei nota disso para referência futura, já que planejava mimá-lo absurdamente em seu aniversário, se isso lhe proporcionasse aquele nível de alegria."

Eu entendo - ou pelo menos acho que sim - o que a autora quis fazer ao colocar a presença da mãe de Mia nesse livro, afinal, ela queria mostrar que a mulher não foi uma completa irresponsável, mas por mais que ela tivesse problemas, ela poderia ter procurado os filhos depois que estivesse melhor, não só agora que Mia estava bem com o seu programa de televisão, afinal, em outros momentos da vida, ela e a irmã teriam se sentido muito bem em ter um apoio feminino.

Confesso que não entendi muito o final dado ao pai de Mia, ok, ele não foi o melhor pai do mundo, mas ainda sim era o pai dela, tudo isso de certa forma começou por causa dele, e mesmo que tenha sido de uma forma completamente inusitada - e até errada - se não fosse por ele é bem provável que o casamento de Mia e Wes nem acontecesse - afinal, qual seria a chance de seus mundos se cruzarem?

"Em última análise, independentemente da sua doença ou transtorno, eu precisava que ela se preocupasse mais comigo do que consigo mesma. Eu imaginava que um problema grave como o dela fosse difícil, mas precisava de pessoas solidárias no meu mundo, pessoas que se preocupassem umas com as outras. Naquele momento, eu não tinha espaço para ajudar a juntar os cacos do meu passado com uma mulher que não tinha feito nada além de me deixar para trás."

Um ponto interessante foi a forma como a autora procurou deixar os leitores cientes de como estavam todos os clientes e pessoas importantes que passaram pela vida de Mia durante esse ano, afinal, podemos ver que muito do que a personagem se tornou se deve a eles, mas pela descrição dela, alguns mudaram bastante enquanto outros, não mudaram nada.

"A mão de Maddy apertou a minha debaixo da mesa. Ouvir sobre outra pessoa sofrendo da mesma forma que nós havíamos sofrido atingia muito mais a alma suave da minha irmã do que a minha. Só que não havia motivo para isso. Nossa mãe tinha uma casa acolhedora. E optou por abandoná-la. Não haveria nenhuma empatia da minha parte."


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