Resenha | Fui uma Boa Menina? de Carolina Munhóz


Nestas páginas de diário, uma adolescente fora do comum escreve sobre seus dramas e conflitos familiares ao mesmo tempo corriqueiros e excepcionais, em uma narrativa envolvente, cheia de suspense e, claro, com o toque de fantasia característico de Carolina Munhóz, que vem conquistando jovens leitores por todo o Brasil.

Fui uma boa menina?, conto de estreia da autora na editora Rocco, é um presente de Natal para todos os fãs.


Conto | 16 páginas | Ano 2013 | Rocco | Skoob 
Lido em 1 dia | Avaliação 2 estrelas


"Esse dia nunca deixará de existir. As casas nunca deixarão de ser decoradas. Quem conseguiria fazer o mundo parar de comemorar uma das datas mais festivas do calendário? Eu nunca terei esse poder, Nunca recebi atenção, imagina então ter o poder de fazer esse dia ser esquecido por todos. Ou pelo menos por uma pessoa. Ah, como eu queria que ele esquecesse."

O livro é pequeno o que faz com que seja uma leitura bem rápida, desde o início já vemos que se trata das anotações de uma garota - a filha da família Claus - em seu diário - que ela chama de Rosebud.

A história começa com o relato de uma garota em seu diário, onde vemos seus problemas familiares, como a menina sente falta da mãe e alimenta um grande rancor por seu pai - que de acordo com ela sempre foi ausente - assim como da grande movimentação de pessoas em sua casa, principalmente na data festiva no final do ano. No decorrer das páginas conseguimos perceber quem é essa família, o que nos faz entender um pouco essa ausência do pai da garota, mas ao mesmo tempo nos mostra uma menina que não se esforça para entender seus pais e ver somente as coisas da forma como ela deseja.

"Consigo ouvir o meu riso sarcástico. O segundo em uma só manhã. Não soltei o terceiro, pois sabia que a bondade de minha mãe tinha limite e o tempo dela também. Naquele horário ela deveria estar finalizando as preparações para a celebração, mas não estava. Não! Ela escolheu aquele dia para procurar algo em meu armário."

É fácil perceber que a protagonista é uma personagem que não gosta da data comemorativa e muito menos do clima festivo que acomete a maioria das pessoas no final do ano, mas em nenhum momento é abordado de forma profunda o motivo de tal ódio pela data. Só a história do pai não ser tão presente como a garota gostaria não deu certo, ficou a desejar.

Percebemos que a todo momento a menina relata que se sentiu deixada de lado e negligenciada por seu pai a maior parte de sua vida, principalmente no dia do natal já que o mesmo sempre estava muito ocupado organizando as coisas e presenteando as crianças que foram boas no decorrer do ano, a questão é que sua menina nunca havia sido boa o suficiente, ela simplesmente não gostava daquele feriado, principalmente após o último ano quando sua mãe faleceu.

Não entenda errado, é claro que entendo que a menina sente falta da mãe e que gostaria que as coisas fossem diferentes, mas pelos relatos dela, em nenhum momento do livro vemos que ela tentou ver a história pelo outro lado, nunca tentou entender o empenho de seus pais para aquela data, ela só sentia que não era o suficiente já que em algum momento de sua vida ficou sabendo que seu pai queria ter tido um filho para passar seus ensinamentos para ele.

"É que na verdade estou nervosa. Não sei se no próximo segundo ele baterá na porta ou não. Qual seria a minha reação se o fizesse? Será que devo abrir? Eu já deveria ter passado dessa fase e é claro que não devo abrir. Por causa dele não a tenho mais. Isso é o mais correto a fazer, não?"

De uma forma geral é uma história bonitinha, poderia ter sido melhor abordada ou até mesmo mais estruturada, é um tema que permite se melhor desenvolvida, mas a autora consegue demonstrar que não importa quem você seja, os problemas familiares podem existir em qualquer lugar, mesmo onde menos se espera. Mas o final foi muito arrematado, como se a autora tivesse se cansado de escrever a história mas precisava finalizar ela logo, o que deixou aquela sensação de que está faltando algo.

"Houve então um momento de descontração. Afinal estava conversando com minha mãe. E se existia algum tipo de doçura naquela família vinha dela. Com certeza! Brincando, culpou a genética paterna pelo meu temperamento dramático. Ela sorriu e disse que me amava."


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